Tenho a vida em caixas. Grandes, médias, pequenas. Não propriamente divididas por categorias, mas distribuídas por diferentes tamanhos e formatos. Caixas espalhadas por cantos, dispostas aleatoriamente, a aguardar a sua vez.
Como a vida, no fundo. Que se coloca em compartimentos - passados, presentes, futuros - a aguardar, também, que alguém a arrume no local correcto. Mas haverá sequer algum local correcto para arrumar tudo isto? Haverá sequer algum lugar "correcto" para alguma coisa?
Tendemos a querer fazer com os momentos, emoções ou sentimentos o que fazemos com objectos em mudança, como se de alguma forma fosse mais fácil viver com uma ordem imposta por nós próprios. Mas como arranjar caixas para "memórias a guardar", " memórias a esquecer", "sentimentos para arquivo", " sentimentos em projecto", "emoções adequadas", "emoções impróprias"?... Há tantos que ficam no meio, no limbo, sem definição, esperando eternamente o seu enquadramento!... Tantos que, no final, nunca serão enquadráveis. Porque não têm de o ser!...
Porque há o preto, o branco, mas algures no meio há imensos tons de cinzento, suplicando por existir.
Não quero a vida desenhada totalmente a cinzento. Mas também não quero o preto e branco, apenas. Quero cor, muita cor! Cheia de luz, de contraste, de liberdade.
Quero toda a cores do mundo... Todas elas fora de caixas.
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