segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Toxic

Still toxic, hypoxic

Tenho sono, sempre tanto. Não quero dormir, para não ter de acordar. Odeio acordar. Adoro adormecer, adoro dormir, odeio sonhar. Odeio acordar.

Still toxic, my hipoxic.

Sozinha. De novo e novamente. Reservo o lado direito, está vazio. Já foi o teu, não será mais. Ou será? Está vazio. E quieto. Já foi toca, já foi quente, foi suave, foi intenso. Já foi teu... e teu e teu. Está vazio.

Still toxic, beautiful hipoxic.

Não olho, não sinto, não sou. Está escuro e fechado. Está pesado de tanto pesar. Está duro e tapado. Está dorido de muito doer. Não há, não vai haver. Já foi, voltou a não ser.

Still toxic, smashing hypoxic.

Vem daí, aterra em cima de mim. Sou bem molinha, confia assim-assim. Vem depressa, aterra devagar. Sou algo antiga, podes reciclar. Vem ainda hoje, aterra a valer. Sou o que fui, ninguém vai perder.

Still toxic, unfinished hypoxic.