Entrada em contramão numa estrada com lombas. Cilindros compostos ajudam a injectar combustível. Primeiro um salto, depois outro, depois... Mais um. Para cima, para baixo, o embate é seco e cru. Uma luz avisadora aparece e aconselha pausa. É melhor parar por ali...
Ao longe, uma estrela, cadente. De novo, movimento e sentido correcto. Marcha de cruzeiro, tranquila, neutra, confortável. Velocidade controlada e respeitada. Enquadramento adequado nas linhas lateral e central. Manuseamento suave do volante.
Mais perto, sons e vocalizações diversos aguçam os cinco sentidos. Nova pausa, agora sem luz avisadora. E novo arranque accionador do mecanismo do turbo. Uma aceleração... Muitas. Inesperadas e inconstantes, que obrigam a uma resposta rápida e não pensada. Abandona-se o conhecido e confortável.
Viragem à esquerda, sem pisca, comandada apenas pela vontade. O turbo mantém a sua acção intermitente, ao sabor dos segundos. O escape não emite poluição, pelo que a vista exterior é clara. Nem sempre, porém... nuvens cinzentas mostram-se também ao vidro dianteiro.
A viagem, o deslizar, por vezes é assertivo, noutras hesitante. Mas a condução é suave, no geral. O que permite segundos de relaxamento pelo condutor (intercalados com momentos de concentração aparentemente relevantes) e pelos passageiros.
Uma placa aparece e revela um destino conhecido. Nesse momento, sente-se um discreto a moderado engasgamento do motor. Umas perdas eventuais de água do radiador... Com isto, medo da avaria, não comentado...
Contudo, um atempado colocar de pé no pedal da embraiagem evita o desligar abrupto. A condução suave é retomada, num ambiente pacato, mas estimulante.
A viagem prossegue, sem esquecer uma paragem para atestar o depósito. A transferência de gasolina é rápida, mas dotada de um enorme poder de renovação e entendimento entre os dois lados. Sem sinal de cansaço ou desejo de terminar o percurso, sucedem-se os minutos até ao regresso a casa.
À chegada, na última paragem, o motor é desligado, ficando por segundos a questionar o término da sua acção. Conclui que a sua performance foi muito boa... E pouco frequente. Será melhor não parar por ali?